CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO
PAULO
CAMPUS SÃO PAULO
MESTRADO PROFISSIONAL EM PROMOÇÃO DA
SAÚDE
Marli
rosangela cres
Religiosidade
e Estilo de Vida de Adultos que frequentam um Shopping Center da Periferia de
São PaulO
São Paulo
2015
MARLI ROSANGELA CRES
Religiosidade
e Estilo de Vida de Adultos que frequentam um Shopping Center da Periferia de
São PaulO
Dissertação para conclusão
do curso de Mestrado em Promoção da Saúde do Centro Universitário Adventista de
São Paulo, sob orientação da Professora Doutora Gina Andrade Abdala.
São Paulo
2015
FICHA CATALOGRÁFICA
Dissertação para conclusão do curso de
Mestrado em Promoção da Saúde do Centro Universitário Adventista de São Paulo,
sob orientação da Professora Dra. Gina Andrade Abdala, apresentada em 27 de abril de 2015.
_________________________________________________________________
Professora Doutora Gina
Andrade Abdala
_________________________________________________________________
Professor Doutor Leonardo
Tavares Martins
_________________________________________________________________
Professora Doutora Marlise
de Oliveira Pimentel Lima
AGRADECIMENTOS
·
Agradeço
a Deus e a Cristo Jesus, meu orientador, coautor, mantenedor e incentivador.
·
À
professora Dra. Gina Andrade Abdala, minha orientadora, amiga, incentivadora e
companheira nesta jornada.
·
Ao
grupo REIS (Religiosidade e Espiritualidade na Integralidade da Saúde), pelo
incentivo, companheirismo e paciência nas minhas preleções.
·
Aos
Colegas e Professores da primeira turma do Mestrado UNASP, pela amizade e
aprendizado.
·
Aos
professores Doutores Leonardo T. Martins e Marlise O. P. Lima por se dispuserem
a fazer parte da Banca Examinadora.
·
Ao
meu querido marido, Augusto Cesar Maia, pelo amor, pois só pelo amor ele
poderia ter me ajudado tanto.
·
À
minha querida filha Jemima, que sempre esteve disposta a me ajudar com todos os
afazeres, me deixando com tempo livre para me dedicar a este mestrado.
·
Ao
meu querido filho Jabs, que prontamente se disponibilizou para me ajudar com
toda a diagramação e desde já reconheço que o seu trabalho foi fundamental para
a conclusão desta dissertação, sempre me acalmando nos momentos difíceis e me
salvando dos meus problemas com a tecnologia.
Aos meus familiares, principalmente ao
meu irmão Aldo Cres pela ajuda em TI e ao
Geraldo
Maia pela revisão ortográfica.
RESUMO
Introdução: A religiosidade/espiritualidade ainda está
presente no homem pós moderno. O Brasil é um país onde esta característica é
marcante. A religiosidade faz parte de todo ser humano e consequentemente afeta
a sua saúde. A ciência vem despertando para este fato e pesquisando esta
relação entre religião/saúde e isto ocorre também no Brasil de forma crescente.
Outro estudo que também vem crescendo é sobre o estilo e qualidade de vida, que
comprovadamente tem aumentado o gradiente de saúde das pessoas. Frente a isto,
esse trabalho busca encontrar fatores determinantes do processo religiosidade/estilo de vida
saudável na população brasileira para possíveis ações de educação em saúde. Objetivo:
Analisar associação
entre religiosidade e estilo de vida
saudável em uma comunidade periférica de São Paulo. Método: Pesquisa descritiva de corte transversal com abordagem
quantitativa, que investigou 206 indivíduos com idade entre 18 e 59 anos, de
adesão espontânea que adentraram ao shopping e quiseram participar da Feira de
Saúde. Os dados foram
coletados por meio dos instrumentos: Ficha com dados sociodemográficos; questionários
validados do Índice de Religiosidade Duke-Durel e do “Estilo de Vida
Fantástico” durante a Feira de Saúde. Foi
realizada análise estatística descritiva dos dados coletados considerando os
aspectos quantitativos relacionados às variáveis sóciodemográficas: idade,
sexo, escolaridade, religião. Foi utilizado o teste Rho de Spearman para
associação das variáveis categóricas ordinais e qui quadrado para as
dicotômicas. Resultados: Foi
encontrada associação entre Religiosidade e Estilo de Vida em 11,2% das
variáveis (14 de 125 associações) com coeficiente menores que 0,30. Conclusão: As associações foram fracas,
porém foi evidenciada a grande religiosidade do povo brasileiro nesta amostra,
e de como esta religiosidade faz parte e está por trás do seu cotidiano, não
podendo ser negada ou ignorada durante uma orientação, intervenção ou cuidado
de saúde.
Palavras
chave: Religiosidade.
Espiritualidade. Estilo de Vida. Promoção de Saúde.
ABSTRACT
Introduction: Religiosity/spirituality is still present in the
postmodern man. Brazil is a country where this feature is striking. Religiosity
is part of every human being and consequently affects their health. The science
is awakening to this fact and researching the relationship between
religion/health and this also occurs in Brazil in ascending order. Another
study is also growing about the lifestyle and quality of life, which has
increased the health gradient people. Facing this, the present study sought to
find determinants of the association between religiosity and lifestyle in the
Brazilian population for possible health education activities. Objective: To analyze the association
between religiosity and lifestyle of the young population attending a mall in
the periphery of Sao Paulo. Method:
cross-sectional study with a quantitative approach, which investigated 206
individuals between 18 and 59 years old with spontaneous adhesion that stepped
into the mall and wanted to participate in the Health Fair. Data were collected
through the instruments: Sociodemographic data; Validated questionnaires of
Religiosity Duke-Durel Index and The "Lifestyle Fantastic". It was
performed a descriptive statistical analysis of the data collected considering
the quantitative aspects related to socio-demographic variables: age, gender,
education, religion. It was used the Spearman's Rho test for association of
ordinal categorical variables and chi-square for dichotomous. Results: We found association between
religiosity and Lifestyle in 11.2% of the variables (14/ 125 associations) with
lower coefficient 0.30. Conclusion:
The association was weak, but it was shown the great religiosity of the
Brazilian people and how this religion is part of their everyday life and it
can not be denied or ignored during an orientation, intervention or health
care.
Key words: Religiosity.
Spirituality. Lifestyle. Health
promotion.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO
O homem ao olhar a sua
volta se vê, ao olhar para baixo se localiza e ao olhar para cima busca
respostas, pode-se chamar a esta necessidade de crença. Ravi Zacharias denomina como fome do transcendental (Zacharias, 1997).
A crença religiosa
constitui uma parte importante da cultura, dos princípios e dos valores do ser
humano. A Religiosidade/Espiritualidade (R/E) faz parte da experiência humana
através da história, sendo uma dimensão importante da vida humana o que
justifica o seu estudo científico e “a crença em um poder invisível e inteligente
tem sido amplamente difundida entre a raça humana, em todos os lugares e todas
as épocas” (HUMES, 2005, p 21).
A antropologia confirma
isto dizendo que “todas as populações estudadas pelos antropólogos demonstram
possuir um conjunto de crenças em poderes sobrenaturais de alguma espécie”
(MARCONI; PRESSOTO, 1985, p 162).
A partir desta concepção
de que as pessoas possuem uma crença em poderes sobrenaturais, pode-se dizer
então que elas buscam por uma religião ou uma espiritualidade.
A literatura apresenta um
numero considerável de definições sobre a R/E (XAVIER, 2006), (SILVA, 2008),
(MOREIRA-ALMEIDA e STROPPA, 2012). Contudo não existe uma postura consensual a
respeito do significado exato de cada termo. Pelo contrário o que mais se
observa em diversos estudos é uma sobreposição de conceitos, uma considerável
dificuldade na definição e delimitação dessas terminologias (SILVA, 2008).
Este trabalho elegeu como
referencial teórico Koenig, que define religião como:
Um sistema de crenças
e práticas observado por uma comunidade, apoiado por rituais que reconhecem,
idolatram, comunicam-se com ou aproximam-se do sagrado, do Divino, de Deus (em
culturas ocidentais) ou da Verdade Absoluta, da Realidade ou do Nirvana (em
culturas orientais) ( KOENIG, 2012a, p 11).
Em relação a
espiritualidade entende-se aqui, como “a sensibilidade ou ligação a valores
religiosos ou coisas do espírito em oposição a interesse material ou mundano”,
definição segundo o descritor (DeCS) da BVS (Biblioteca Virtual de Saúde).
Dentro do aspecto da
religião e da espiritualidade tem-se a religiosidade, que por ser mais objetiva
e mensurável, foi eleita como foco do presente trabalho e que, segundo Reinert
e Koenig (2013) a espiritualidade que incide sobre o envolvimento religioso
fornece uma medida mais constante e sólida para avaliar resultados e que ainda
segundo Koenig (2012a) é a religiosidade que poderá ter uma relação/associação
com o estilo de vida de um indivíduo.
Nesta pesquisa o
referencial teórico de Religiosidade que será usado é a definição do Koenig
(2012a), onde Religiosidade é a atividade religiosa que pode ser Organizacional (envolve a participação
em serviços religiosos em grupo), Não
Organizacional (aquela realizada a sós e pode ser se comunicar com Deus,
meditar, ler escritos religiosos, assistir/ouvir mídia religiosa ou executar
rituais privados) e Intrínseca (se
refere à busca de internalização e vivência plena da religiosidade como
principal objetivo do individuo) (TAUNAY et al., 2012).
A escolha pelos
referenciais teóricos do Koenig se deve principalmente pelo questionário sobre
religiosidade ser de sua autoria, e assim haver uma maior coerência entre
instrumento e conceito do construto.
Cabe aqui ressaltar que o
enfoque dado neste trabalho em relação a R/E é o enfoque cristão, por se tratar
de um estudo ocidental, principalmente brasileiro, onde as religiões cristãs
são a grande maioria.
1.1 Síntese da bibliografia fundamental
1.1.1
Religiosidade e saúde
A prática
religiosa, mesmo em um mundo dito secularizado, ainda é bem presente, variando,
porém de acordo com os países. Nos EUA, por exemplo, 89% da população têm uma
religião e 31% frequentam serviços religiosos pelo menos uma vez por semana. Na
Europa, a média da população que frequenta serviços religiosos ficou em 31,6%, com
grande variação de país para país. Em um estudo com 35 países, pelo mundo, no
qual não fazem parte, Brasil, EUA e Europa, verificou-se que 87,8% dos
entrevistados referiram pertencer a uma denominação religiosa e 41,9%
frequentam serviços religiosos pelo menos uma vez por semana (MOREIRA-ALMEIDA
et al., 2010).
Um dos países que se pode
dizer que ainda preserva a prática religiosa é o Brasil, colonizado pelos
portugueses, que construíram uma capela em cada local desbravado, resultando no
imenso número de igrejas espalhadas pelo país, que hoje possui não só igrejas
católicas, mas somando-se a elas, outro montante de templos de várias
denominações.
Isto é possível ser
constatado pelo censo (IBGE, 2010) através do número de adeptos das principais
religiões do país (Tabela 1).
Tabela
1- Distribuição dos
brasileiros por religião. Brasil, 2010.
Religião
|
Total
|
Porcentagem
|
Católicos romanos
|
123280172
|
64,62
|
Católicos ortodoxos
|
131571
|
0,068
|
Evangélicos pentecostais
|
25370484
|
13,29
|
Evangélico de missão
|
7686827
|
4,02
|
Evangélicos não determinados
|
9218129
|
4,83
|
Espírita
|
3848876
|
2,01
|
Outras religiosidades
|
5185065
|
2,71
|
Sem religião
|
15335510
|
8,03
|
Religiões afro
|
588797
|
0,30
|
População brasileira
|
190775799
|
Fonte: IBGE, Brasil, 2010
*Evangélico
de missão- Batista, Adventista, Presbiteriano, Luterano, Metodista
Os católicos continuam
sendo a maioria, porém houve um crescimento da diversidade dos grupos
religiosos, sendo que os católicos passaram de 73,6% em 2000 para 64,6% em
2010, os evangélicos passaram de 15,4% em 2000 para 22,2% em 2010, sendo que
60% se diz pentecostal, 18,5% de missão, já os espíritas foram de 1,3% em 2000
para 2% em 2010, e nos que se declararam sem religião, houve uma variação de
7,3% em 2000 para 8% em 2010 (IBGE, 2010).
Em relação à faixa etária,
os católicos têm maior número em pessoas com mais 40 anos, chegando a 75,2% no
grupo de mais de 80 anos, já os espíritas têm maior proporção entre 50 e 59
anos, nos evangélicos os maiores percentuais foram verificados entre as
crianças (25,8% entre 5 e 9 anos) e adolescentes (25,4% entre 10
e 14 anos) (IBGE, 2010).
Um estudo feito com uma
amostra de 3007 pessoas (2346 adultos e 661 adolescentes) em 143 cidades, nas
quais 95% têm uma religião, 83% consideram a religião muito importante e 37%
frequentam um serviço religioso pelo menos uma vez por semana (MOREIRA-ALMEIDA
et al., 2010).
Somando-se a afiliação
religiosa constatada no censo de 2010 à pesquisa anterior citada, se têm uma
mostra que o brasileiro não só faz parte de uma religião, mas também a
considera muito importante, e 37% a frequenta regularmente, características de
religiosidade encontradas na definição do Koenig, podendo então se inferir que
o povo brasileiro é religioso.
A religiosidade, como foi
dito anteriormente, faz parte e ainda está presente no homem pós-moderno
conforme Stroppa e Moreira-Almeida (2008) ao mencionar que intelectuais e
cientistas previram que a religiosidade desapareceria ou decresceria ao longo
do século XX, mas o que se observou nas últimas décadas foi um aumento do
interesse dos cientistas pela religiosidade e um alto índice de pessoas que se
consideram religiosas ou espiritualizadas em todo mundo, principalmente nas
Américas.
Essa religiosidade
influencia as outras dimensões do homem, construindo a sua saúde, uma vez que
saúde atualmente é entendida não só como o bem estar biopsicossocial, mas
também o espiritual. O acréscimo do espiritual ganha espaço e significado à
medida que a OMS assume a incorporação da espiritualidade em documentos
oficiais que visam investigar os parâmetros da qualidade de vida, como é
observado nos instrumentos WHOQOL-Bref e o WHOQOL-SRPB (PANZINI et al., 2007).
É neste homem
quadridimensional (Figura 1) que a R/E ganha força e vem em uma onda crescente
de estudos querendo entender e avaliar o seu poder de influência e interação
com as demais dimensões humanas, constituindo o que se chama de saúde
holística, decorrente de uma visão sistêmica, que tem como conceito “a
perspectiva de que os seres humanos e outros organismos funcionam como unidades
completas e integradas e não um agregado de partes separadas” (BVS, 2014).
Figura
1 – Desenho elaborado
como fruto de uma reflexão sobre Saúde Integral.
Fonte:
Santos (1996).
Nesta visão de homem
holístico, é na dimensão espiritual onde se desenvolve a religião e a religiosidade. Em uma tentativa
de entender um pouco mais este homem espiritual é que vêm crescendo os estudos
nesta área.
Não será feito um
histórico desta onda, mas será mencionado apenas um exemplo da sua trajetória,
mais especificamente nos Estados Unidos, onde Levin (2001), epidemiologista
social e membro do National Institute for Healthcare Research no seu livro
Deus, Fé e Saúde, relata que em 1982 recebeu dois artigos para leitura de curso
que abordavam religiosidade e saúde. Surpreso com isso, faz sua pesquisa de fim
de curso sobre o tema, tendo encontrado 15 artigos, sendo um deles destacado,
um relato de 1978, em que a frequência religiosa ajudava a melhorar os níveis
de pressão arterial (publicado no Journal of Behavioral Medicine).
Em 1987, no seu doutorado
na Universidade do Texas, Levin aborda novamente o assunto, e após levantamento
bibliográfico, encontra 200 artigos sobre o assunto, percebendo aí uma
tendência que ele vem a chamar mais tarde de epidemiologia da religião. Em 1990, ele participou de um estudo
patrocinado pelo National Institute of Health (NIH) sobre efeitos da prática
religiosa e da espiritualidade sobre a saúde (LEVIN, 2001, p.17).
Em 1996 foi criado um
programa de assistência a escolas de medicina que se interessassem em oferecer
cursos de religião e espiritualidade. Em 1997, o Journal of the American
Medical Association (JAMA) publicou o primeiro artigo sobre o tema, Religion
and Spirituality in Medicine: Research and Education (Levin, 2001, p 19-20).
Levin afirma que a
epidemiologia é que poderá dizer que o envolvimento religioso merece ser
reconhecido como um dos fatores significativos para promover a saúde e o bem
estar entre muitos grupos de pessoas (Levin,
2001, p 24).
Em um artigo mais recente
sobre o impacto das publicações em espiritualidade e saúde feita em 21/12/2009,
em uma busca com os termos religion and
spirit, Moreira-Almeida et al (2010) identificou 42.734 artigos no Pubmed e
63.116 no Psycoinfo. Deste total, quase metade foi publicada nesta última
década.
Essas evidências dadas confirmam
uma relação positiva e crescente no número de pesquisas feitas, relacionando a
Religiosidade/Espiritualidade e Saúde.
A seguir, será feito um
breve relato das principais pesquisas mencionadas pelo Dr. Harold Koenig
(2012a) que demonstram esta relação positiva entre R/E e Saúde, já que ele
representa provavelmente “o mais importante pesquisador em religião e saúde da
atualidade” e um dos autores mais citados (escreveu mais de 40 livros, 300
artigos e 60 capítulos de livros) (MOREIRA-ALMEIDA, 2007).
No seu livro Medicina,
Religião e Saúde, Koenig (2012a) relata do capítulo quatro ao nove, 267
pesquisas e revisões (ocorre repetição de citações dependendo do assunto)
relacionando religião e saúde. Dentro destas, foram escolhidas 28 pesquisas,
tendo como critério uma representação para dar um panorama geral desta relação
positiva, mostrando em que áreas e os seus respectivos achados. Entre eles
encontrou-se que a religiosidade melhora a satisfação com a vida, diminui o
comportamento delinquente, aumenta as células CD4, diminui o cortisol, diminui
a Interleucina, aumenta a longevidade, apresenta menor índice de AVC e HA e
aumenta a probabilidade de fazer exercícios. O panorama completo está no Quadro
1 (Apêndice I).
No Brasil, existem várias
pesquisas na área de R/E, porém com algumas dificuldades e limitações neste
campo. Uma é que as pesquisas não são conhecidas no exterior e outra é a
ausência de uma revisão abrangente da literatura sobre espiritualidade e saúde,
em português, que seja facilmente acessível a estes pesquisadores e clínicos (MOREIRA-ALMEIDA, 2007).
Como o presente trabalho
tem como foco a Religiosidade, fez-se uma busca para se conhecer os trabalhos
entre religiosidade e saúde e como este conhecimento vem sendo empregado no
Brasil. Para tal finalidade foi feita uma pesquisa no Scielo no dia 21/05/2014,
usando os descritores saúde e religiosidade. Foram encontradas 84 referências,
usando filtro para “Brasil”.
Dentre os artigos
encontrados, foi feita uma primeira seleção após leitura dos resumos, e uma
segunda seleção após a leitura dos artigos, restando 13 artigos que
apresentaram a religiosidade como tema de pesquisa. Não foram incluídas as
revisões de literatura.
Os 13 artigos são
apresentados no quadro Religiosidade e Saúde no Brasil, dando um vislumbre do
que está sendo pesquisado e a importância do estudo da relação saúde e religião
no país. Observou-se que o estudo da religiosidade no Brasil vai pelo caminho
da saúde mental e a religião é o apoio do brasileiro para enfrentamento de
situações estressantes (Quadro 2, Apêndice II).
Com base no que foi
apresentado até aqui sobre a religiosidade do povo brasileiro e sobre a relação
positiva entre a religiosidade e saúde, a pergunta que norteia este estudo é: existe
associação entre a religiosidade e o estilo de vida saudável?
1.1.2 Religiosidade e estilo de vida
Segundo os descritores da
BVS (BVS, 2014), estilo de vida significa “o modo típico de viver que
caracteriza um individuo ou grupo”, tem como sinônimo “comportamentos
saudáveis”, cujo significado é “comportamentos através dos quais os indivíduos
protegem, mantém e promovem o próprio estado de saúde”.
Manter o estilo de vida
saudável é tentar dentro das possibilidades, preservar a natureza física,
psíquica, social e como foi visto até aqui, também a espiritual. O corpo
obedece a leis e necessidades específicas, podendo se adaptar, porém isto
acarreta algumas consequências, é a chamada ecologia na saúde (SANTOS, 1996).
Pode-se dizer que ninguém
é totalmente saudável, ou seja, tem o grau máximo de saúde como a definição da
OMS se refere, a um bem estar total. Mas, se é utópico, norteia-se como um
caminho a ser percorrido.
Um dos caminhos então,
para aumentar a saúde, diminuir a doença é através do estilo de vida saudável. Pode-se dizer que em relação à saúde,
o estilo de vida é formado por hábitos que podem ser bons ou prejudiciais,
surge aí então o que Koenig (2012a) chama de comportamentos positivos de saúde
e comportamentos negativos de saúde. Informar, orientar e incentivar a prática
destes comportamentos positivos de saúde é o eixo da educação em saúde a fim de
alcançar um estilo de vida mais saudável.
Esta prática de
comportamento positivo de saúde tem se mostrado como responsável por uma maior
longevidade, uma maior higidez e no caso de adoecimento, uma melhor recuperação
da saúde, isto “devido a constatação de que boa parte das doenças, e também das
mortes prematuras ocorridas no mundo, apresentam uma estreita associação do
modo como as pessoas vivem” (LOCH, 2006, p 1) e o impacto dos hábitos pessoais
e estilo de vida na saúde das pessoas vem sendo documentado na literatura” (científica)
e um dos campos de estudo no momento (BRITO; GORDIA; QUADROS, 2014).
Hoje em dia, já é até de
conhecimento popular, altamente divulgado pela mídia, que uma alimentação mais
natural, exercícios, e a abstinência no uso de fumo, álcool e drogas está
diretamente ligada a um grau maior de saúde e, portanto, uma diminuição de
doenças, principalmente as doenças crônico degenerativas.
Comportamentos que
aumentem a saúde terão como consequência uma diminuição da doença. Podemos
pensar em uma escala, na qual, quanto mais caminhamos na direção em aumentar o
grau de saúde, mais diminuímos o grau da doença, como se fosse possível colocar
cada hábito saudável como degrau da escala. Neste gradiente, o zero saúde seria
a morte e o saúde 100, completo bem estar, que infelizmente não existe.
Figura
2 - Gradiente de
saúde
0 ---------------------------------------------------------------------------- 100 =>
saúde
----------------------------------------------------------------------------- => doença
100
0
Fonte: Cres (2002)
O Estilo de Vida é uma
face da saúde, pois esta é, como já foi dito anteriormente, bastante ampla,
envolvendo muitos aspectos, inclusive o de religiosidade.
O estilo de vida pode ser
definido, também como um conjunto de ações habituais [hábitos] que refletem as
atitudes, os valores e as oportunidades na vida das pessoas. (NAHAS; BARROS;
FRANCALACCI, 2000). Se os hábitos refletem os valores e escolhas, podem estar
associados aos aspectos da religião.
A religiosidade tem sido
apontada em algumas pesquisas como um fator de orientação, otimização,
associação e predisposição em relação a alguns hábitos que fazem parte de um
estilo de vida saudável.
A seguir, serão
apresentadas algumas destas relações. Como o questionário a ser usado neste
trabalho é o Fantástico optou-se por seguir os campos relativos a cada dimensão
do estilo de vida deste instrumento, uma vez que este é um tema muito
abrangente. A preferência pelos trabalhos com pesquisas no Brasil, foi a
possível comparação com o presente
estudo.
Seguindo a distribuição
das dimensões do Fantástico, tem-se a seguir os seguintes tópicos:
Família e amigos – Paula,
Nascimento e Rocha (2009), ao comentarem o achado em estudo feito em um
hospital paulista afirmam que a instituição religiosa tende a envolver seus
adeptos, de forma a facilitar o compartilhar das experiências entre os seus
membros, o que facilita o apoio social encontrado entre família e amigos.
Atividade Física – segundo
um estudo feito em Santa Catarina com adolescentes escolares foi observado que
a participação em grupo de jovens (religioso), os que não participavam tinham
risco 37% maior de serem inativos no lazer. Em relação aos rapazes, quanto a
não praticar nenhum tipo de atividade física no tempo livre, verificou-se que
os de maior frequência religiosa, a inatividade foi 17,8%, dos menos frequentes
22,5% e dos sem religião 34,9% (LOCH, 2006, p. 45,46).
Nutrição – Muitos
trabalhos foram escritos sobre o hábito alimentar estimulado pelos adventistas,
que orienta seus adeptos a uma dieta mais natural, com restrições de cafeína e
o uso do vegetarianismo. Em um trabalho em São Paulo com adventistas pode ser
observado que a alimentação vegetariana tem um efeito protetor para a
Hipertensão Arterial (SILVA et al., 2012).
Drogas – Um estudo no Rio
Grande do Sul, de oficinas de espiritualidade para dependente químico, conclui
que “é possível argumentar que a espiritualidade constitui uma dimensão
essencial do tratamento, pelo seu poder agregador, animador e dinamizador de
vida e esperança, bem como pelo seu poder de integrar e religar todas as
coisas” (BACKES et al., 2012, p.1258).
Álcool – A prática
religiosa e afiliação mostraram ter um efeito de proteção ao alcoolismo num
estudo em Pernambuco (BEZERRA et al., 2009).
Sexo seguro – Um trabalho
paulista que entrevistou oito autoridades religiosas e 18 jovens, mostra que
“os entrevistados não se envergonham da sua sexualidade, pois concebem-na como
divinizada se orientada pela moral que valorizam, compartilham e ressignificam”,
ou seja, são guiados pelos valores religiosos. Há uma maior conscientização
entre os religiosos sobre os seus valores em relação ao sexo; o que pode ser um
fator de proteção. Percebe-se uma variação entre as religiões e os evangélicos
pentecostais manifestaram uma menor abertura a experiências sexuais fora do
casamento (SILVA et al., 2008, p. 686).
Estresse – O estresse faz
parte da vida atual, podendo ser abordado em várias populações. Num estudo
sobre estudantes de medicina da UESC, Santa Catarina, uma das estratégias
citadas para o enfrentamento de estresse destes estudantes foi a religiosidade.
O referido artigo menciona também que o mesmo ocorre com os estudantes em
outras pesquisas fora do Brasil (ZONTA; ROBLES; GROSSEMAN, 2006).
Saúde Mental – Jovens,
entre 18 e 24 anos de Pelotas RS, “que relataram praticar sua religiosidade,
mostraram maior chance de satisfação com a vida quando comparado com os que
declararam pouca frequência ou nenhuma religiosidade” (SOUZA et al., 2012, p.
1172).
Trabalho – em pesquisa com
professores universitários, se verificou que os praticantes de uma religião em
relação aos não praticantes, apresentaram menos desconfiança com o próprio
desempenho, bem como menos distúrbios de sono
(ROCHA; SARRIERA, 2006).
Como
pode ser visto nestas pesquisas no Brasil, existe uma associação entre
religiosidade e estilo de vida saudável.
1.2
Problemática da pesquisa
A religiosidade está
presente na vida do brasileiro, podendo influenciar a sua saúde em vários
aspectos, seja no estilo de vida saudável, na qualidade de vida ou
enfrentamento das doenças. Esse é um fato reconhecido pelos profissionais de
saúde, comprovado pelo crescente número de artigos publicados.
Para estes mesmos
profissionais de saúde que tem o desafio de entender cada vez mais o ser humano
e para que a sua intervenção/orientação seja eficiente, faz-se necessário um
conhecimento maior na área de R/E e sua relação com a doença, com a saúde e
como usar a religiosidade como um facilitador de mudanças, incentivando um
estilo de vida que melhore a saúde.
Apesar do aumento de
estudos na área, que ainda estão no inicio, existem muitas perguntas sobre a
relação R/E e Saúde, por exemplo: como influencia, em que grau, quando, em que
aspecto, em que população.
Este trabalho busca saber
como é essa religiosidade que está presente na população brasileira e em que
aspectos ela se associa ao estilo de vida deste homem brasileiro.
Sendo assim, formula-se o
seguinte problema: Existe associação entre religiosidade e o estilo de vida
saudável em adultos da periferia de São Paulo?
De acordo com as
evidências encontradas na literatura científica mencionadas anteriormente, a
hipótese deste estudo é que existe associação positiva entre religiosidade e o
estilo de vida saudável em uma população de adultos, que no presente caso, se
encontravam em um Shopping na periferia de São Paulo.
2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo Geral
- Analisar a associação
entre religiosidade e estilo de vida saudável em uma comunidade periférica de
São Paulo.
2.2 Objetivos Específicos
- Descrever o perfil da
religiosidade de adultos de um Shopping Center da periferia de São Paulo;
- Descrever o perfil de
estilo de vida saudável destes adultos;
- Investigar a relação
existente entre religiosidade e o estilo de vida saudável em uma comunidade
periférica.
3 JUSTIFICATIVA
Considerando que o
brasileiro é um povo religioso e esta religiosidade melhora a saúde e o estilo
de vida conforme pesquisas mencionadas (LOCH, 2006; ROCHA; SARRIERA, 2006;
ZONTA; ROBLES; GROSSEMANl, 2006; PAULA; NASCIMENTO; SILVA, 2008; BEZERRA et al.,
2009; ROCHA, 2009; BACKES et al., 2012; SILVA et al., 2012; SOUZA et al., 2012,
um estudo mais detalhado nesta área faz-se necessário a fim de que orientações,
intervenções (ações e programas levados ao indivíduo ou comunidade) e
interações (ações desencadeadas a partir da coparticipação entre
individuo/comunidade e profissionais/instituições de saúde) possam ser
elaboradas com o objetivo de elevar o gradiente de saúde através do estilo de
vida da população em geral ou de grupos específicos.
Como o Brasil é um país
religioso, faz-se necessário também mostrar como é relevante a
religiosidade/espiritualidade para as pessoas e como isto não pode ser negado
ou ignorado ao se prestar qualquer tipo de assistência a essas pessoas.
3.1
Relevância pessoal do tema
Como profissional da saúde
sempre acreditei que o homem deve ser visto em suas quatro dimensões. Na saúde,
a dimensão física foi sempre a de maior importância, percebendo-se depois
também a necessidade de se olhar para a questão psicológica. Seguiu-se a defesa
do social como promotor da saúde e então cresce agora a descoberta da
religiosidade/espiritualidade como fator preditor de comportamentos saudáveis e
a sua interação com as demais dimensões, uma vez que elas interagem.
Então, devido ao crescente
número de trabalhos científicos demonstrando a importância da religiosidade e o
estilo de vida, ou seja, a religiosidade como fator indutor para que a pessoa
tenha mais saúde, faz-se necessário explorar um pouco mais esse tema e
enriquecer as pesquisas que tratam da associação entre a religiosidade e o
estilo de vida saudável.
3.2 Relevância social
O Brasil é um país religioso
e a prática religiosa pode ser um fator no aumento do nível de saúde pessoal e
consequentemente da comunidade. Se existe uma relação entre estilo de vida com
a diminuição das doenças crônicas não transmissíveis, então se faz necessário
uma abordagem de forma colaborativa pelos profissionais de saúde, usando a
religiosidade como instrumento facilitador tanto para aumentar o gradiente de
saúde da pessoa, como no tratamento, enfrentamento e prevenção da doença.
O uso da religiosidade no
atendimento de saúde pode colaborar para que tenha pessoas mais saudáveis e
consequentemente comunidades com mais saúde, além de ao visualizar estes grupos
religiosos dentro da comunidade, os mesmos poderão ser parceiros nas ações de
saúde comunitária e até individual, funcionando, neste caso, como visto em
trabalhos, como apoio social e de enfrentamento de doenças pelas pessoas
atendidas (PAULA; NASCIMENTO; ROCHA, 2009).
Acrescenta-se a isso a
inserção social que esta instituição (UNASP) pode beneficiar com a promoção da
saúde, alertando a população do seu entorno quanto à mudança de hábitos por
meio da educação em saúde, o que resultará na melhoria do estilo de vida,
utilizando a religiosidade de cada pessoa como facilitadora destas mudanças.
4 METODOLOGIA
4.1 Casuística
Este projeto está inserido
em uma pesquisa de corte transversal, realizado com pessoas que estavam
presentes em um Shopping. Trata-se de um Shopping que está localizado na região
sul do município de São Paulo e atende principalmente as regiões de Campo Limpo
e Capão Redondo, que tem uma população de 480.090 habitantes. A região possui
uma alta densidade demográfica de 16.530 hab/km2 para Campo Limpo e 19.759 hab/km2
para Capão Redondo (PMSP/Dados Sociodemográficos, 2010).
A pesquisa foi realizada
em dois eventos denominados “Feira de Saúde” em dois anos consecutivos, sendo a
primeira no dia 20/10/2013 e a segunda em 04/05/2014 pelo Unasp/SP com a
participação dos estudantes do mestrado, graduandos e professores (Apêndice V).
A amostra foi por
conveniência, pois foram incluídas pessoas que ao adentrarem as portas do
shopping, e ao participarem da Feira de Saúde, manifestassem interesse em
participar da pesquisa e que estivesse dentro dos critérios de inclusão, assinando
assim o termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice III e IV), o que
resultou em um total de 206 pessoas (n= 206).
Os critérios de inclusão
foram serem adultos (homens ou mulheres com idade entre 18 e 59 anos) que
voluntariamente quisessem participar do estudo e que concordando com os termos
do TCLE (Termo de Consentimento Livre Esclarecido) assinassem o consentimento.
4.2 Métodos
Trata-se de uma pesquisa,
que segundo os objetivos, é descritiva; segundo o procedimento é um inquérito populacional;
segundo a abordagem é quantitativa; segundo o local é uma pesquisa de campo e
no tempo é de corte transversal (GERHARDT; SILVEIRA, 2009).
É uma pesquisa
quantitativa descritiva porque teve como objetivo fazer uma análise das
características de uma população por meio de uma coleta de dados para
verificação de uma hipótese. Contém uma hipótese explícita a ser verificada,
baseada em teoria, e que pode consistir em declarações entre duas ou mais
variáveis (MARCONI; LAKATOS, 2003, p 187).
O inquérito abrangeu as
áreas relacionadas a religiosidade, estilo de vida saudável, saúde referida,
dados sociodemográficos, bem como afiliação religiosa, excluindo os demais
dados coletados nas duas feiras de saúde.
As análises foram
realizadas com base no Statistical Package for the Social Sciences (SPSS).
4.3 Instrumentos para coleta de
dados
Foi aplicado um formulário
de Ficha Pessoal de Saúde, no qual as variáveis sociodemográficas que foram
coletadas e usadas para análise deste estudo são as seguintes: idade, sexo,
escolaridade, estado civil, religião.
O segundo instrumento
utilizado foi o “Estilo de Vida Fantástico” (Anexo I) validado no Brasil por
Rodrigues-Anez, Reis e Petroski (2008).
O referido instrumento foi
criado no Canadá e explora nove domínios sobre os componentes biopsicossociais
(BRITO; GORDIA; QUADROS, 2014).
Contém 25 questões
fechadas, sendo 23 com 5 alternativas e 2 dicotômicas, as alternativas estão
colocadas de forma crescente em relação ao estilo de vida saudável e após a
recodificação das colunas (0 a 4) a classificação dos escores é: excelente (85
a 100), muito bom (70 a 84), bom (55 a 69), regular (35 a 54) e necessita
melhorar (0 a 34) (SANTOS et al., 2014).
Conclui-se após a
validação do Fantástico que há evidencia de que é adequado para a avaliação do
estilo de vida de adultos e que este possui uma boa capacidade classificatória
(RODRIGUES-ANEZ; REIS; PETROSKI, 2008).
Neste estudo, o Alfa de
Cronbach, que é um coeficiente de consistência interna do Questionário
Fantástico foi de α = 0,79.
Foi aplicado também o
questionário de religiosidade denominado Duke-Durel validado por Taunay et al.
(2012) (Anexo II).
O Índice de Religiosidade
de DUKE (DUREL) é uma escala de cinco itens que mensura três principais
dimensões do envolvimento religioso:
·
Religiosidade
Organizacional (RO) - frequência a encontros religiosos,
·
Religiosidade
não Organizacional (RNO) - frequência de atividades religiosas privadas,
·
Religiosidade
Intrínseca (RI) com 3 itens, RI1, RI2, RI3, que é a busca da internalização e
vivência plena da religiosidade (TAUNAY et. al., 2012).
É um instrumento de fácil
aplicação, com as características necessárias para aplicação no local utilizado
(Feira de Saúde).
Neste estudo, o alfa de
Cronbach para Religiosidade Intrínseca foi de 0,77.
Os dois primeiros itens do
DUREL nos EUA foram embasados em estudos epidemiológicos realizados no EUA,
relacionados os indicadores de saúde física, mental e suporte social, sendo que
os outros três foram extraídos de um questionário de religiosidade intrínseca
de Allport & Ross (SANTOS; ABDALA, 2014).
4.4 Coleta de dados e
procedimentos
Na Feira de Saúde, a
coleta de dados foi feita no inicio do circuito e durante o qual, os
participantes permaneceram com os questionários e com as demais enquetes. Ao
final do circuito houve orientação frente as condições de saúde levantadas e na
saída do mesmo, os questionários eram entregues.
Somente os que
apresentaram os critérios de inclusão fizeram parte da pesquisa. Os
participantes responderam os questionários Durel e Fantástico entre outros, e
após assinatura do TLCE percorreram o circuito da Feira de Saúde, sendo
orientados no final como os demais participantes.
4.5 Análise dos dados e tratamento estatístico
Para construção do banco
de dados e análise estatística foi utilizado o software SPSS (Statiscal Package
for the Social Sciences, versão 22).
Para efeito de análise
inferencial, o presente estudo teve cinco variáveis independentes (variáveis do
fator religiosidade) e 25 variáveis dependentes (variáveis do estilo de vida).
As cinco variáveis da
religiosidade (DUREL) foram analisadas separadamente, uma vez que Taunay et
al., (2012), na validação do instrumento recomenda que os domínios não sejam
analisados somando-se em um escore total.
Desta forma optou-se
também pela análise de cada item do Fantástico separadamente uma vez que ele
aborda aspectos bem diversos entre si. Sendo assim a análise foi bivariável.
Por se tratar de variáveis categóricas, classificadas no nível ordinal, e o
teste de Kolmogorov Sminorv apresentar anomomalidade (não paramétrica) optou-se
pela correlação Rho de Spearman (ρ).
O coeficiente de
correlação de Spearman mede a variação de uma variável que é explicada pela
outra e que quando os dados forem medidos somente no nível ordinal, o
coeficiente de correlação de Sperman é usado (FIELD, 2009).
A palavra correlação,
porém, não pode ser usada para descrever a relação existente entre variáveis
categóricas, “pois a correlação mede a força da relação linear entre variáveis
numéricas. A palavra usada para descrever a relação entre dois valores
categoriais é associação” (RUMSEY, 2012, p 291-292).
Field (2009) orienta que
quando se codifica cada uma das categorias em valor numérico o Sperman pode ser
usado. É preciso, porém se ter em mente que a relação será realmente de
associação e não correlação para efeito de análise.
Nas variáveis
religiosidade do DUREL, a RO e RNO recebem valores de 1 a 6 e a RI 1, 2 e 3
recebem valores de 1 a 5, de forma decrescente (a religiosidade diminui na
medida em que os valores aumentam) e na codificação do Fantástico são usados os
valores de 0 (zero) a 4, que na soma total equivale a um escore igual a 100,
porém a ordem é crescente (o estilo de vida melhora conforme o valor aumenta).
Essa relação faz com que
quanto mais religioso e com melhor estilo de vida, apresente valores negativos,
apesar de uma relação positiva ou favorável, o mesmo acontecendo no contrário,
onde um valor positivo na verdade mostra uma relação não favorável.
Além disto, quando o
escore total do Fantástico ou cada uma das dimensões do DUREL separadamente são
colocados em uma curva, ambas assimétricas (Religiosidade e Estilo de Vida) com
nítida frequência maior em uma das caudas, uma se apresenta à esquerda (-)
Religiosidade e a outra à direita (+) Estilo de Vida, não sendo possível se
fazer uma superposição.
4.6 Aspectos éticos da pesquisa
A coleta de dados foi
autorizada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do UNASP sob número CAAE:
21371313.5.0000.5377 e os entrevistadores foram previamente treinados. Os
sujeitos da pesquisa foram esclarecidos sobre os riscos e benefícios, liberdade
de participar ou não do estudo, possibilidade de retirar sua participação a
qualquer momento sem prejuízo pessoal e/ou organizacional e garantia de sigilo.
Foi solicitada a anuência para o preenchimento e assinatura do termo de
Consentimento Livre Esclarecido, sendo consideradas todas as recomendações da
resolução 466/12 de junho de 2013 pelo Ministério da Saúde - MS que dispõe
sobre pesquisas envolvendo seres humanos (BRASIL, 2013). Foi assinado um
contrato entre o UNASP e o Shopping, disponível para aqueles que tiverem
interesse.
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.1 Perfil Sociodemográfico
A idade da população encontrada foi de pessoas
relativamente jovens, influenciada até pelo próprio critério de inclusão, entre
18 e 59 anos de idade, frente a isto a média verificada foi de 36 anos, com
desvio padrão (dp) de 11,4.
Segundo o IBGE, os adultos
de 20 a 59 anos representam 59,4% da população na região sul de São Paulo
(PMSP, CEInfo, 2012).
A maioria dos respondentes foi do sexo feminino,
aproximadamente 2/3, (Tabela 2) não sendo possível afirmar se havia mais
mulheres no Shopping nos dias do evento ou se elas são mais predispostas a
participarem deste tipo de evento e pesquisa.
Tabela 2 – Distribuição dos adultos segundo o
sexo. São Paulo 2013-2014.
Frequência
|
Porcentagem
|
|||
Feminino
|
138
|
67,0
|
||
Masculino
|
68
|
33,0
|
||
Total
|
206
|
100,0
|
||
Fonte: Elaborado pelo autor.
Quanto à escolaridade, em relação ao total de pesquisados,
encontrou-se os seguintes dados (Tabela 3):
Tabela 3 – Distribuição dos adultos segundo a
escolaridade (em anos de estudo). São Paulo 2013 e 2014.
Escolaridade
(em anos de estudo)
|
Frequência
|
Porcentagem
|
|
1 a 3
|
6
|
3,2
|
|
4 a 7
|
21
|
11,2
|
|
8 ou mais
|
160
|
85,6
|
|
Subtotal
|
187
|
100,0
|
|
Ausente
|
19
|
||
Total
|
206
|
||
Fonte: Elaborado pelo autor.
Na região do Campo Limpo/Capão Redondo, a escolaridade do
responsável por domicilio de “1 a 3 anos”, é de 14,9%, de “4 a 7” é de 36,4% e
“mais de 8” é de 39,6% (PMSP, CEINFO
CENSO 2000).
A tabela anterior não dá maiores detalhes da
escolaridade, uma vez que analisa somente até 8 anos de estudo ou mais, assim
optou-se por um aprofundamento maior, não só pela importância do dado
escolaridade mas também como não existe o fator renda na pesquisa, a escolaridade pode dar um
vislumbre econômico desta população
Existe, porém um fator limitante, a possibilidade de se
fazer esta análise somente com os participantes do ano de 2014. Assim sendo
foram analisados mais detalhadamente 130 participantes, dos quais a
escolaridade encontrada se apresenta na Tabela 4.
Tabela 4 – Distribuição dos adultos segundo a
escolaridade. São Paulo, 2014.
Grau
de Escolaridade
|
Frequência
|
Porcentagem
|
1º
grau incompleto
|
14
|
10,7
|
1º
grau completo
|
13
|
10
|
2º
grau incompleto
|
6
|
4,6
|
2º
grau completo
|
40
|
30,7
|
Superior
Incompleto
|
10
|
7,6
|
Superior
Completo
|
15
|
11,5
|
Indefinido
|
19
|
14,6
|
Não
Refere
|
10
|
7,6
|
Inconclusivo
|
3
|
2,3
|
Fonte: Elaborado pelo
autor.
*Foi
considerado indefinido todos aqueles que constavam apenas o numero de anos de
estudo igual/superior a 13 anos.
Pode-se dizer que esta amostra apresenta um nível de
escolaridade superior ao esperado para a região.
Em relação ao estado civil, pode-se classificar entre os
que têm companheiro, 44,7% é de casados ou moram juntos e os que não têm
companheiro 46,6% (solteiro, divorciado, viúvo) (Tabela 5).
Tabela
5 – Distribuição dos
adultos que frequentam um Shopping Center da periferia segundo o estado civil. São Paulo, 2013, 2014.
Estado civil
|
Frequência
|
Porcentagem
|
||||
Dados perdidos
|
18
|
8,7
|
||||
Casado
|
90
|
43,7
|
||||
Divorciado
|
10
|
4,9
|
||||
Mora junto
|
2
|
1,0
|
||||
Noivo
|
1
|
,5
|
||||
Solteiro
|
81
|
39,3
|
||||
Viúvo
|
4
|
1,9
|
||||
Total
|
206
|
100,0
|
||||
Fonte: Elaborado pelo
autor.
Quanto à religião, de
acordo com o censo 2010 mencionado anteriormente, a porcentagem de católicos é
de 64,6%, não refletindo a encontrada neste estudo que é de 37,9%, talvez pelo
aumento dos evangélicos, que no censo é de 22,14% (evangélico total) e aqui só
de evangélicos é de 21,8%, sem contar os evangélicos de missão (adventistas e
batistas).
Existe uma porcentagem
significativa de adventistas (18,4%) que poderia ser explicada tanto pelo fato
do evento ter sido patrocinado pelo Unasp (Centro Universitário Adventista) ou
pelo grande número de adeptos na região. Isso é evidenciado pela presença de
inúmeras igrejas adventistas e também escolas adventistas, incluindo o Unasp,
com 100 anos de fundação, situado na região.
Como esta pesquisa foi
feita em duas coletas, as religiões tiveram uma variação, com exceção dos
adventistas que foi de 19,7% na primeira coleta para 17,4% na segunda coleta. Já
os católicos da primeira o percentual foi 26,3%, subindo para 44,6%, mas ainda
não sem equiparar ao censo (64%). Os evangélicos com um percentual de 32,8% na
primeira descendo para 15,9 na segunda e os que não têm religião vão de 9,2
para 6,8%.
Cabe ressaltar que os
adventistas fazem parte dos evangélicos de missão, e os demais evangélicos de
missão, com algumas exceções, devem ter se colocado apenas como ‘evangélico’,
designação mais usada ultimamente.
Um fator interessante
frente a isto é que “Em São Paulo, onde a presença de protestantes tradicionais
não é expressiva, eles são encontrados, sobretudo nos subdistrito da capital,
como Jaraguá e Capão Redondo” (JACOB et al., 2003, p. 70).
Agora, um dado importante
quase equiparado ao censo é o número dos sem religião (conforme nomenclatura do
censo) de 8,03% e aqui de 6,8%, que mostra uma população com mais de 90% de
religiosos, dado semelhante é mencionado no levantamento feito no Brasil, por
Moreira Almeida (2010) onde 95% referem ter uma religião.
Gráfico 1- Religião Referida dos adultos que
responderam ao inquérito. São Paulo, 2013, 2014.
Fonte:
Elaborado pelo autor.
5.2 Perfil de Religiosidade
A Religiosidade foi
analisada a partir da escala de religiosidade DUREL, validada por Taunay et al. (2012) dividida
em:
- Religiosidade
Organizacional - RO
- Religiosidade não
Organizacional - RNO
- Religiosidade Intrínseca
- RI 1, 2 e 3.
Na Religiosidade Organizacional (RO), esta população mostrou que tem
uma prática religiosa, uma vez que somando a frequência mais de uma vez por
semana (25,5%) com uma vez por semana (36,5%) das porcentagens válidas tem-se
62%, e de 2 a 3 x/mês são 10,5%, e aqueles que nunca vão ou vão uma vez ao ano
é de apenas 13,5%. O gráfico 2 mostra o comportamento desta população analisada
em relação a frequência religiosa.
Em um levantamento feito em 143 cidades, com adultos
maiores de 18 anos, Moreira Almeida (2010) encontrou uma frequência religiosa
uma ou mais vezes por semana de 37,2% e 18,2% de 1 a 2x/mês.
Em Itajubá, numa pesquisa com a população local o
encontrado foi de uma ou mais vez/semana foi de 54,6% e 2 a 3 vez/mês foi de
15,8% (DIAS, 2012).
Pode se dizer que os dados se assemelham aos achados em
Itajubá, porem bem maiores da média encontrada no Brasil por Moreira-Almeida (2010).
Gráfico 2- Religiosidade Organizacional dos
adultos que responderam ao inquérito. São Paulo, 2013, 2014.
Fonte:
Elaborado pelo autor.
Já na Religião não
Organizacional (RNO), encontrou-se uma população que se dedica as
atividades religiosas particulares, seja ela rezar, meditar, ler, assistir, ouvir
mensagens religiosas, da qual metade pratica diariamente (52%) e 18% mais de
uma vez ao dia (Gráfico 3). Na pesquisa de Itajubá que é um estudo
estratificado, o encontrado foi 42,1% diariamente e 29,8% mais de uma vez ao
dia (DIAS, 2012). Os dados se assemelham.
Gráfico 3- Religiosidade Não Organizacional dos
adultos que responderam ao inquérito. São Paulo, 2013, 2014.
Fonte:
Elaborado
pelo autor
Quanto a Religiosidade
Intrínseca 1,
encontrou-se uma população que tem não só uma prática religiosa, mas também uma
Espiritualidade muito grande, já que 98,5%, diz sentir a presença de Deus, entre
o ‘totalmente verdade’ para eles e ‘em geral é verdade’ (Gráfico 4).
Em Itajubá encontrou-se 95,3% dos participantes que sente
a presença de Deus, somando as duas primeiras alternativas (DIAS, 2012).
Gráfico 4- Religiosidade Intrínseca 1 dos
adultos que responderam ao inquérito. São Paulo, 2013, 2014.
Fonte:
Elaborado pelo autor.
Na Religião
Intrínseca 2, na qual as “crenças estão por trás de toda a minha maneira de
viver”, somando-se o “totalmente verdade” com o “em geral é verdade” tem-se
91,5% (Gráfico 5). É aqui que fica a pergunta de como ignorar ou negar a
importância da religiosidade nos hábitos de saúde desta pessoa.
Somando as duas primeiras alternativas tem-se 86,8% em
Itajubá, neste estudo de amostra representativa (DIAS, 2012).
Os dados são relativamente semelhantes aos de Itajubá, e
lá também se confirma a necessidade de se observar a crença da população
atendida ao traçar um plano terapêutico.
Gráfico 5- Religiosidade Intrínseca 2 dos
adultos que responderam ao inquérito. São Paulo, 2013, 2014.
Fonte:
Elaborado pelo autor.
Comentando então a Religião
Intrínseca 3, metade dos entrevistados (58,5%) afirmam se “esforçar para
viver a religião em todos os aspectos da vida”, coerência entre Crença e
Vivência. Nesse mesmo grupo, 25% deles relata que “em geral” faz o mesmo (Gráfico
6).
Resultados semelhantes
foram encontrados na população de Itajubá, “totalmente verdade para mim” com
50,5% e “em geral é verdade” com 28,8%.
Gráfico 6- Religiosidade Intrínseca 3 dos
adultos que responderam ao inquérito. São Paulo, 2013, 2014.
Fonte: Elaborado pelo autor.
A análise para efeito de
comparação com outros dados foi basicamente feita com a população de Itajubá.
Primeiro, por se referir também a uma amostra de população não especificada e
com uma população de 20 anos ou mais, tendo o porém de ter 10% da amostra com
mais de 60 anos. Segundo, pela dificuldade de se encontrar trabalhos que
usassem o DUREL com uma população não especificada. Em geral, os artigos
encontrados eram com universitários, portadores de alguma doença, profissionais
específicos ou então idosos que não eram a população em questão.
5.3 Perfil do Estilo de Vida
Em relação ao estilo de
vida desta população, a análise foi feita a partir do questionário Estilo de
Vida Fantástico, traduzido e validado por Rodrigues-Añez, Reis e Petroski
(2008).
Para uma melhor análise
por área, optou-se por um rearranjo das dimensões e não necessariamente nas 9
dimensões existentes, apesar de basicamente segui-las.
As áreas foram: Atividade,
Nutrição, Repouso (agrupou-se os itens sono e lazer), Saúde Mental (itens
relativos aos aspectos psicológicos), Drogas (agrupou-se as dimensões cigarro,
drogas e álcool), Trabalho e finalmente Cinto de segurança e Sexo Seguro.
A seguir, serão
apresentadas algumas figuras referente às “áreas” do Estilo de Vida Fantástico,
lembrando que o Fantástico varia geralmente de quase nunca (1) para quase
sempre (5).
A.
NUTRIÇÃO
Figura
3 - Nutrição
Como pode ser visto na
Figura 3, a questão da dieta balanceada realmente esta distribuída
equitativamente, sendo que as pessoas do quase nunca são praticamente iguais ao
quase sempre.
A dieta balanceada é um
item bastante difuso na população. O comer em excesso (sal, açúcar, gordura,
bobagens) a maioria fica entre dois e um itens (alternativa 3 e 4)
Já no intervalo de peso,
esta caixa cheia do gráfico mostra um aspecto interessante que foi a
concentração nas pontas, ou seja, mais de 8 kg e menos de 2 kg (menos de 2,
porque não existe no questionário a opção
abaixo do peso ou peso ideal, sendo considerado nestes casos a
alternativa 5 com 2 kg acima), agora houve
uma perda de 16 respostas que provavelmente não souberam ou não quiseram opinar
.
O que ocorre porem é uma
população acima do peso onde, 44,3% está com sobrepeso e a obesidade I é de
13,8%, a II de 4,4% e a obesidade III é de 2,0% e acima da media nacional (> 18 anos) de
2012 que era de 51% acima do peso (BRASIL, PORTAL BRASIL, 2013).
B.
ATIVIDADE
Figura
4 – Atividade Física
Esta população, como pode
se ver na Figura 4 , não tem a prática de exercícios na sua maioria, uma vez
que a mediana está no item 1(menos de uma vez por semana), mas também não é
sedentária, já que se mostra moderadamente ativa.
Segundo Knuth et.al.
(2011), ao citar a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicilio) em
2008, numa pesquisa com pessoas de mais de 14 anos, o encontrado de ativos
(atividade física leve/moderada 5x/sem e vigorosa 3x/sem) foi de 10,5%. A
autora também cita a pesquisa do Vigitel em 2009, com uma prevalência de 14,7%
em maiores de 18 anos ativos. No presente estudo, ao se considerar os vigorosamente
ativos (de 3 a 5 vezes por semana) encontrou-se 28,2%.
Em relação aos moderadamente
ativos (menos de uma vez por semana), neste trabalho, encontrou-se 22,3%, o que
é próximo do resultado de inativos da PNAD, no Sudeste, de 22,1% (KNUTH et al.,
2011).
No PNAD existe a
classificação dos ativos no deslocamento que foi de 10,5% do total o que na
presente pesquisa pode estar contido no 47% do moderadamente ativos.
C.
REPOUSO
Figura
5 - Repouso
Quanto ao descanso, existe
uma concentração maior nas ultimas alternativas, principalmente no “quase
sempre” com 33% nas duas perguntas, mostrando que os participantes deste estudo
conseguem repousar.
Em relação ao sono, no
acordar e sentir-se descansado e cheio de energia, uma das poucas referencias
encontrada para a população em geral foi com metalúrgicos do interior de São
Paulo, que responderam 69,2% afirmativamente (BATTAUS; MONTEIRO, 2013).
Neste trabalho para
equiparar tal porcentagem é necessário somar as 3 ultimas alternativas (quase
sempre, muita frequência, algumas vezes) que perfaz um total de 73,1%.
D.
SAÚDE MENTAL
Figura
6 – Saúde mental
Do ponto de vista da saúde
mental, o grupo pesquisado mostrou-se com um bom resultado, onde a mediana está
na alternativa 4, significa “quase sempre” para as afirmações positivas e
“quase nunca” para as negativas (Figura 6). O item “aparento estar com pressa”
na cidade de São Paulo, apontou um valor diferente (45.1% quase sempre), o que
seria de se esperar. Agora “sentir tenso e desapontado”, apenas 22,6% disse
“quase sempre” ou com “relativa frequência”. Cabe ressaltar que 12 pessoas não
quiseram ou não souberam opinar sobre o “dou e recebo afeto”.
E.
DROGAS
Figura
7- Drogas
Em relação ao abuso de
remédios esta população, com exceção de alguns outliers, a maioria (74,1%) diz
nunca abusar de remédios. O consumo da cafeína fica entre 41,2% de “uma a duas
vezes por dia” e 33,2% “nunca” (Figura 7).
No caso do uso de drogas
optou-se por não colocar no gráfico, primeiro por ser dicotômica e segundo
porque 97,9% afirmou nunca usar drogas, apesar de que 15 pessoas não
responderam.
Esta é uma observação que
não dá para saber se é uma característica real, porque é uma pergunta bastante
indiscreta e principalmente para ser colocada num lugar publico que mesmo se
tentando ao máximo a proteção dos entrevistados, sempre se sentirá exposto,
2,1% até assumiu usar, mas é um item de difícil verificação de veracidade.
Quanto ao hábito de fumar,
a população encontrada de fumantes foi de 8,4%, abaixo da média nacional de
2013 que era de 15% (IBGE, Pesquisa Nacional da Saúde, 2013).
A ingestão média de álcool
por semana também ficou em 94% entre 0 a 7 doses, aqui não há a alternativa ‘não
tomo bebidas alcoólicas’, subentendendo que seja o zero.
O dado acima é bem
semelhante à ‘nunca’ e ‘quase nunca bebem mais de 4 doses por ocasião’, que foi
de 87,8%. Houve porem, uma perda significativa de respostas, 22 não souberam ou
não quiseram opinar sobre a ingestão media semanal e 17 também não responderam
ao numero de doses por ocasião.
Por outro lado, nove
pessoas disseram beber “quase diariamente” ou “com relativa frequência mais de
4 doses”.
No beber após dirigir
(pergunta dicotômica), 93,6% disseram nunca dirigir após beber, mas 18 não
responderam.
No Brasil 42% da população
não ingeriu álcool em 2010, dado que infelizmente não pode ser comparado com os
94% desta população, porque no Fantástico os abstêmios não são realçados, mas
entram na alternativa de 0 a 7 doses. Agora os que podem até beber mais de 4
doses em uma ocasião são 19,6% nesta pesquisa e a média nacional é de 22%
(BRASIL. CISA, 2014).
F.
TRABALHO
Figura
8 - Trabalho
Esta pesquisa mostra que
existe uma satisfação com o trabalho nesta população da periferia de São Paulo,
em uma região (Campo Limpo/Capão Redondo) em que 42,5% da população recebe uma
renda de ½ a 2 salários mínimos, 37,5% de 2 a 10 e 1,6% recebe mais de dez (
PMSP, CEINFO, IBGE, 2010).
G.
CINTO DE SEGURANÇA/ SEXO SEGURO
Tabela 6 -
Prática sexo seguro
Frequência
|
Porcentagem
|
|||
Quase nunca
|
12
|
6,1
|
||
Raramente
|
5
|
2,6
|
||
Algumas vezes
|
10
|
5,1
|
||
Com muita frequência
|
11
|
5,6
|
||
Sempre
|
158
|
80,6
|
||
Subtotal
|
196
|
100,0
|
||
Ausentes
|
10
|
|||
Total
|
206
|
|||
Fonte: Elaborado pelo
autor
Quanto a pergunta relativa
à pratica de sexo seguro, foi uma das mais difíceis de serem feitas, não só por
ser mais intimista, mas porque também fica difícil conceituar o que é sexo
seguro, sendo que os que tem companheiro respondem “eu sou casado”(Tabela 6).
Ao se relacionar ‘pratico
sexo seguro’ com estado civil, 10.5% dos solteiros diz que “quase nunca”
pratica sexo seguro e na alternativa “sempre praticam sexo seguro”, onde está a
maioria, tem-se 87,4 dos casados, 90% dos divorciados e 72,4% dos solteiros.
Comparando idade e sexo
seguro a única característica relevante é na alternativa ‘quase nunca’, 66,7%
está entre os jovens de 18 e 29 anos, mas eles representam 13,6% do total de
jovens nesta faixa etária.
Em relação ao cinto de
segurança 91,7% afirma usar “quase sempre”, afirmação que pode ser verdadeira,
porque o não usar recai em multa de transito.
5.4 Estatísticas analíticas – medidas de associação
5.4.1 Religiosidade e sexo
Foram feitas análises de
associação bivariável entre sexo (dicotômica) e Religiosidade (categórica
ordinal), utilizando o qui quadrado. As variáveis do DUREL foram dicotomizadas,
sendo que RO e RNO foram agrupadas nas categorias (1,2,3) e (4,5,6) e RI 1, 2 e
3 agrupadas em (1,2) e (3,4,5) com os seguintes resultados:
Tabela 7 – Distribuição dos adultos segundo a
religiosidade e o sexo (masc/fem). São Paulo, 2013-1014.
Qui quadrado
|
P
|
||
RO
|
6,9
|
0,008
|
|
RNO
|
4,9
|
0,03
|
|
RI 1
|
6,18
|
0,01
|
teste de Fisher = 0,03*
|
Fonte: Elaborado pelo
autor.
*(foi
usado devido haver células com caselas < que 5)
Houve
associação com RO, RNO, RI 1, mas não encontrada com RI 2 e RI 3 (tabela 7). As
mulheres apresentam uma religiosidade maior, porém Dias (2012) observa que as
mulheres têm índices significativamente maiores do que os homens nos três
domínios de religiosidade (RO, RNO) e RI 1,2,3, o que aqui se deu somente com
RI 1.
5.4.2 Religiosidade e idade
A outra análise de
associação foi entre Idade categorizada (18-29,30-39,40-49,50-59) e
Religiosidade e o resultado foi o
seguinte:
Idade e RO = coeficiente
de correlação. 0,156 e nível de significância. 0,027 (no item mais de uma vez
por semana a ida a igreja é decrescente do mais jovem para mais velho)
As demais associações
entre Idade e RNO e RI 1,2,3 não apresentaram associação significativa.
5.4.3 Religiosidade e escolaridade
Na associação com
Escolaridade e Religiosidade, encontrou-se:
Escolaridade e RNO = coeficiente
de correlação -0,189 e nível de significância 0,011
As demais associações
entre Escolaridade e Religiosidade não apresentaram associação significativa.
5.4.4 Estilo de Vida (Fantástico
Total)
Esta população vista sob a
ótica do Fantástico Total pode se considerar que tem um estilo de vida bem
favorável (tabela 8). Foi feito associação com sexo e estado civil.
Tabela 8 – Distribuição dos adultos segundo o
estilo de vida (Fantoal), por Sexo e estado civil. São Paulo, 2013-2014.
Necessita
melhorar
|
Regular
|
Bom
|
Muito
Bom
|
Excelente
|
Total
|
|
Homens
|
0
|
6,5
|
23,9
|
54,3
|
15,2
|
100%
|
Mulheres
|
1,2
|
14,6
|
28
|
45,1
|
11
|
100%
|
Casados
|
1,7
|
5,1
|
22
|
57,6
|
13,6
|
100%
|
Solteiros
|
0
|
11,8
|
27,5
|
47,1
|
13,7
|
100%
|
Fonte: Elaborado pelo
autor.
Foram computados apenas
solteiros e casados devido ao número dos demais não serem estatisticamente
relevantes.
Na escolaridade, 89,2% tem
mais de 8 anos de estudo, e estão distribuídos, 13,1% no regular, 23,4% no Bom,
49,5% no Muito Bom e 13,1% no excelente, os demais não são significativos.
Em relação à Idade há uma
concentração de todas no muito bom, as demais distribuições não são relevantes.
Os trabalhos que utilizam
o Fantástico, na sua maioria se referem a populações universitárias, idosas ou
específicas, não apresentando realidade semelhante com o presente estudo.
Analisando-se o escore
total do Fantástico FANtotal com Saúde Referida o coeficiente de Spearman (–
0,297) e nível de significância (0,001) mostra que existe associação. Agora se
usando a tabela de referência cruzada acham-se dados interessantes:
·
5
pessoas consideram saúde boa e estão no nível regular do Fantástico
·
14
consideram-se no regular e estão no nível bom
·
16
consideram-se no regular e estão no nível muito bom
·
5 estão no regular e no excelente do
Fantástico
Ao se refletir sobre isso,
fica a pergunta: o que estas pessoas têm como referência para avaliar a sua
saúde?
Fazendo esta mesma análise
com nível de satisfação, encontra-se um coeficiente de Spearman ( – 0,202) e
sig. (0,024) mostrando uma associação presente.
Aqui também se encontram
dados interessantes na tabela de referência cruzada:
·
4
pessoas estão no regular do Fantástico, com nível de satisfação bom e muito
bom.
·
17
estão no bom do Fantástico, com nível de satisfação regular.
·
23
estão no muito bom do Fantástico, com nível de satisfação regular.
·
7
estão no excelente do fantástico, tem nível de satisfação regular.
·
10
estão no bom/muitobom/excelente, tem nível de satisfação ruim/muito ruim.
Será que saúde, para
alguns é um objetivo sempre crescente, um alvo inatingível?
No total esta amostra populacional
apresenta um bom nível de satisfação com a saúde e com o nível de saúde
referida, como se pode ver nas tabelas 9 e 10.
Tabela 9 – Distribuição dos adultos segundo a
saúde referida. São Paulo, 2013-2014.
Frequência
|
Porcentagem
|
||||
Muito boa
|
13
|
6,5
|
|||
Boa
|
98
|
49,2
|
|||
Regular
|
75
|
37,7
|
|||
Ruim
|
6
|
3,0
|
|||
Muito ruim
|
5
|
2,5
|
|||
Não sabe
|
2
|
1,0
|
|||
Subtotal
|
199
|
100,0
|
|||
Ausentes
|
7
|
||||
Total
|
206
|
||||
Fonte: Elaborado pelo
autor.
Tabela 10 – Distribuição dos adultos segundo o
nível de satisfação com a saúde. São Paulo, 2013-2014.
Frequência Porcentagem
|
|||||||
Muito boa
|
17
|
8,6
|
|||||
Boa
|
70
|
35,4
|
|||||
Regular
|
87
|
43,9
|
|||||
Ruim
|
17
|
8,6
|
|||||
Muito ruim
|
7
|
3,5
|
|||||
Subtotal
|
198
|
100,0
|
|||||
Ausentes
|
8
|
||||||
Total
|
206
|
||||||
Fonte: Elaborado pelo
autor.
Infelizmente houve perdas
em questionários, 192 perguntas deixadas em branco, que perfaz 3,7% do total, o
que não é uma porcentagem grande, mas traz inquietações do porque não souberam
ou não quiseram responder (talvez porque não entenderam).
Estas perguntas elencadas
abaixo sugerem ‘mais desconforto’ na hora de responder do que por um não
entendimento, são elas:
·
Minha
ingestão media de álcool por semana – 22 sem repostas
·
Dirijo
após beber – 18 sem resposta
·
Bebo
mais de 4 doses por ocasião – 17 sem
respostas
·
Estou
no intervalo de x kg acima do peso – 16
·
Fumo
cigarros – 15
·
Uso
drogas – 15
·
Abuso
de remédios – 13
·
Dou
e recebo afeto – 12
·
Pratico
sexo seguro – 10
·
Bebidas
com cafeína -7
·
Penso
de forma positiva – 6
·
As
demais foram 5 ou menos
5.4.5 Análise da correlação entre
Religiosidade do DUREL e o estilo de vida do Fantástico
Como mencionado
anteriormente, a análise usada foi a correlação de Spearman, tendo como valor de
significância do coeficiente p ≤ 0,05.
Nas tabelas 11 e 12, foram
encontrados os valores de correlação das variáveis de religiosidade e das 23
categorias do estilo de vida do Fantástico, retiradas as duas dicotômicas.
Tabela
11 – Correlação de
Spearman entre o Fantástico, a RO e a RNO.
Fantástico
|
RO
|
RNO
|
||||
coef cor
|
signific.
|
coef cor
|
Sig
|
|||
tenho
alguém p/
|
1
|
|||||
dou
e recebo
|
2
|
|||||
vigorosa/
ativo
|
3
|
|||||
modera/
ativo
|
4
|
|||||
dieta
balanceada
|
5
|
-0,175
|
0,013
|
|||
como
em excesso
|
6
|
|||||
intervalo
peso
|
7
|
|||||
Fumo
|
8
|
-0,250
|
0,001
|
|||
remédio
excesso
|
10
|
|||||
Cafeína
|
11
|
-0,163
|
0,023
|
|||
dose
álcool/sem
|
12
|
-0,185
|
0,013
|
|||
mais
4 doses
|
13
|
-0,243
|
0,001
|
|||
durmo
bem
|
15
|
|||||
cinto
segurança
|
16
|
|||||
Estresse
|
17
|
|||||
relaxo
e desfruto lazer
|
18
|
|||||
sexo
c/ seg.
|
19
|
-0,176
|
0,015
|
|||
aparento
pressa
|
20
|
|||||
sinto
raiva e host.
|
21
|
|||||
penso
positivo
|
22
|
|||||
sinto-me
tenso
|
23
|
|||||
sinto-
me triste
|
24
|
|||||
satisfeito
c/ trabalh.
|
25
|
|||||
Fonte: Elaborado
pelo autor.
Tabela
12 : Correlação de
Spearman entre Fantástico e as RI1/RI2/RI3
RI 1
|
RI 2
|
RI 3
|
||||||
coef cor
|
Sig
|
coef cor
|
Sig
|
coef cor
|
Sig
|
|||
tenho
alguém p/
|
1
|
-0,146
|
0,04
|
|||||
dou
e recebo
|
2
|
-0,156
|
0,032
|
|||||
vigorosa/
ativo
|
3
|
|||||||
modera/
ativo
|
4
|
|||||||
dieta
balanceada
|
5
|
|||||||
como
em excesso
|
6
|
|||||||
intervalo
peso
|
7
|
0,148
|
0,044
|
|||||
Fumo
|
8
|
-0,178
|
0,015
|
|||||
remédio
excesso
|
10
|
|||||||
Cafeína
|
11
|
|||||||
dose
álcool/sem
|
12
|
|||||||
mais
4 doses
|
13
|
-0,186
|
0,012
|
|||||
durmo
bem
|
15
|
|||||||
cinto
segurança
|
16
|
|||||||
estresse
|
17
|
|||||||
relaxo
e def lazer
|
18
|
|||||||
sexo
c/ seg.
|
19
|
|||||||
aparento
pressa
|
20
|
|||||||
sinto
raiva e host.
|
21
|
|||||||
penso
positivo
|
22
|
-0,205
|
0,004
|
|||||
sinto-me
tenso
|
23
|
|||||||
sinto-
me triste
|
24
|
-0,151
|
0,034
|
|||||
satisfeito
c/ trabalh.
|
25
|
|||||||
Fonte: Elaborado pelo
autor.
5.4.6 Associação entre Fantástico e RO
(ir à igreja)
Houve uma associação
favorável com o habito de fumar (> Frequência,< fumar)
Com uso da cafeína (>
frequência, < uso),
Com uso de bebidas
alcoólicas (> frequência,< ingestão)
Relação favorável com a
prática de sexo seguro
Basicamente com o uso de
drogas lícitas.
5.4.7 Associação do Fantástico com RNO
(pratica privada)
Houve associação somente
com dieta balanceada
5.4.8 Associação com Religião Intrínseca
1 (sinto a presença de Deus)
Sinto e recebo afeto e
tenho alguém para conversar, sentem mais a presença de Deus.
Na associação com o
intervalo de peso existe uma pequena correlação com maior ganho de peso.
Sentir a presença de Deus
e se sentir menos triste e deprimido.
5.4.9 Associação com Religião
Intrínseca 2 (crença por trás)
Aqui se repete a
associação relativa ao não uso de drogas licitas, onde a religião esta por trás
do seu viver, o uso é diminuído no item fumo.
5.4.10 Associação com Religião
Intrínseca 3 ( se esforça por viver)
Esforça-se por viver de
acordo com as crenças, não consumindo mais de quatro doses de bebidas
alcoólicas por ocasião, onde 80,9% está na coluna ‘nunca’.
A associação com pensar de
forma positiva, mostra que viver de acordo com as suas crenças realmente o faz
ver as coisas de forma mais otimista.
5.4.11 Associação entre uso de drogas
e dirigir após beber (dicotômicas) e religiosidade.
Como as variáveis F9 e F14
(dirijo após beber) são dicotômicas no questionário do Fantástico, optou-se por
fazer um teste do Qui quadrado entre estas variáveis e as variáveis do DUREL
(religiosidade), que também foram dicotomizadas, No RO foram agrupadas as
categorias (1,2,3) e (4,5,6), no RNO foram agrupadas em (1,2,3) e (4,5,6) e as
de religiosidade intrínseca RI 1,2,3 foram agrupadas em (1,2) e (3,4,5).
Não foram encontradas
associações estatisticamente significantes, com exceção do dirigir após beber
(F14) e RO, com Qui quadrado igual a 7,06 e teste exato de Fisher com p= 0,01.
O teste de Fisher foi usado devido a células com frequência < que 5 nas
caselas.
Cabe aqui ressaltar que as
correlações de Spearman encontradas no total são fracas (< 30) e se faz
necessário o cuidado em generalizações, principalmente em relação a outras
populações.
5.5 Considerações entre Religiosidade e Estilo de Vida
O presente trabalho teve
como objetivo primordial analisar a associação entre Religiosidade e Estilo de
Vida, utilizando-se para isso os questionários do DUREL e Fantástico
respectivamente, frente a isto comprovar a hipótese de que esta associação
existe e que ela é positiva, tendo como base a literatura científica pesquisada.
Antes, porém, cabe aqui
relembrar que as dimensões do Durel foram analisadas separadamente, assim como
as do Fantástico, o que inclusive possibilitou um maior aproveitamento das
questões do Fantástico, frente às perdas, uma vez que se analisados de forma
geral se teria apenas 128 questionários totais e como dito anteriormente o
Fantástico tem dimensões muito diversas o que justifica também tal opção.
Nesta população, que
reflete a religiosidade do brasileiro a ida à igreja/templos/grupos é rotina na
vida de muitas pessoas, que neste estudo chegou a 62% “até uma vez por semana”,
fato este que apresenta algumas associações favoráveis com estilo de vida em
saúde.
Uma delas foi uma relação
quanto ao hábito de fumar e uso de bebidas alcoólicas, uma vez que indivíduos
que frequentam serviços religiosos são menos propensos a começar ou continuar fumando,
fazer uso pesado de álcool e drogas, comparado com pessoas que frequentam menos
ou pertencem a denominações religiosas menos conservadoras ou a nenhuma delas (Moreira-Almeida; Neto; Koenig, 2006).
Houve uma confirmação de
que a frequência religiosa pode diminuir o uso do fumo e álcool.
Outra associação favorável
foi o menor consumo de cafeína (café, chás e colas) o que se repetiu em uma
pesquisa também realizada nesta região, na qual se mostrou uma diminuição do
consumo de cafeína entre adventistas semivegetarianos. (FERREIRA et al., 2011)
A relação entre a prática
de sexo seguro e frequência religiosa também foi demonstrada em pesquisa com
estudantes mulheres, onde “quanto maior a frequência ao culto religioso, menor
a porcentagem de estudantes com atividade sexual” assim como “a menor proporção
de estudantes que praticavam sexo seguro [uso de preservativos] observou-se entre
aquelas que nunca assistiam a culto religioso” (MOSER; REGGIANI; URBANETZ 2007,
p 118/119).
A espiritualidade é
mostrada pela presente população, através da pratica particular diária da
religião (RNO) com índices de 52% diariamente, e de 18,5%, mais de uma vez ao
dia e vem se associar a sua vivência cotidiana, assim como o consumo de uma
dieta mais balanceada.
A associação entre dieta
balanceada e religião tem sido relatada na literatura científica mundial como
uma prática entre os adventistas. Existe mais de 300 artigos científicos, que
abordam estudos sobre a saúde dos ASD (adventista do sétimo dia) (FRASER apud
CARNEIRO; MARTINS; FRASER, 2005).
“O estimulo ao
vegetarianismo, e ao consumo de frutas, hortaliças e castanhas na dieta, faz
parte das crenças dos ASD” (CARNEIRO; MARTINS; FRASER, 2005)
No sentir Deus (RI 1),
apesar de parecer uma atividade solitária, na verdade remete o ser humano à
necessidade de repartir, distribuir este Deus e o sentimento de paz e
completude, que trocados por pessoas que comungam esta mesma ideia, faz com que
o receber, ter alguém para conversar e trocar afetos, reforcem a sensação da
presença divina, do transcendental.
A íntima relação com
Deus, e sensação do sagrado na vida, as emoções de compaixão e amor ao próximo,
enfim, a religiosidade não ajuda muito se não é praticada, distribuída aos
seres e ao mundo, contagiando o trabalho e as relações, proporcionando uma
visão global da vida individual e o seu sentido para a família, a cidade, o
universo. O que parece é que a religião sem o aspecto existencial não ajuda
muito (MARQUES, 2003, p.64).
Nesse estudo com adultos
porto-alegrenses, se sugere também esta relação entre o sentir Deus com o
sentir o próximo.
O brasileiro frente aos
problemas encontrados neste país de contrastes, principalmente os das zonas
periféricas, carregam dentro de si o que Parker salienta dos latinos
americanos, a existência do se sentir cuidado por “Alguém”.
Segundo Parker (apud
VALLA, 2000, p. 48) “Deus compreendido como Pai e Criador, poderoso e
benevolente, que cuida e se lembra de seus filhos, é a realidade mais
fundamental da religiosidade popular... é a transmissão de uma experiência
vital; mais que a razão da vida, é a força que sustenta”.
Este sentimento pode fazer
com que o brasileiro encontre forças para o enfrentamento do estresse, conforme
citações anteriores, e consiga superar as suas dificuldades, se sentindo menos
triste.
Em relação à depressão e
R/E, Koenig (2012b) cita que entre 178 estudos com maior rigor metodológico,
destes 119 (67%) relataram relações inversas e 13 (7%) encontraram relações
positivas com a depressão, que pode ser o caso do presente estudo, no qual
sentir Deus ajuda a diminuir a depressão.
Ainda no sentir a presença
de Deus, a associação com intervalo de peso foi positiva, aliás, a única
associação positiva encontrada, mas que na verdade é desfavorável e na qual
houve uma dificuldade de encontrar trabalhos similares ou que respondessem o
porquê de tal associação.
Nas associações com RI 2 e
RI 3, foram repetidas associações com fumo e álcool basicamente. Na relação do
esforço para viver de acordo com as crenças encontramos a associação com pensar
de forma positiva, que Murakami e Campos (2012) falam ser o mobilizar de
energias positivas, ou seja, a fé para os religiosos.
Esta fé e a
espiritualidade como a energia para enfrentar a incerteza, o medo,
discriminação, solidão, a dor foi o encontrado por Meneghel et. al., (2008) nas
pessoas que frequentaram uma oficina de intervenção em saúde.
Um estilo de vida em saúde
influenciado pela religiosidade foi o que se buscou encontrar, porém pode-se
dizer que tal relação chegou a apenas 11,2% (associação de 14/125) e em uma
relação fraca (< 0,30), uma hipótese não confirmada, mas também não negada totalmente,
incógnitas da busca científica.
Autores afirmam que
“atualmente a tendência das pesquisas não é investigar se há relações entre R/E
e saúde, mas em identificar os mecanismos desta relação e como aplicar estes
conhecimentos na prática” (MOREIRA-ALMEIDA, STROPPA, 2012, p 39).
Assim sendo a relação
entre saúde e R/E já é visível e esta pesquisa vem colaborar ao fazer uma
análise não geral, mas bivariável, em uma tentativa de se aproximar mais na
identificação dos mecanismos desta relação.
Resumidamente, poder-se-ia afirmar que RO, RI 2 e RI 3, que são mais
ligados aos hábitos e comportamentos, foram encontradas basicamente associações
com o não uso de drogas lícitas. Já a RI 1, (sentir a presença de Deus), que é
mais espiritual, as associações encontradas foram com as variáveis relativas a
saúde mental. A única associação de RNO encontrada, que é a prática da religiosidade,
foi com a prática de uma dieta equilibrada.
Mas numa busca, mesmo que
direcionada sempre nos deparamos com surpresas e descobertas, mas
principalmente com perguntas, por exemplo, de como as pessoas auto avaliaram a
sua saúde em relação ao estilo de vida, já que na relação encontrada teve
muitas dissociações.
Um trabalho no sul do
Brasil mostrou que os mais velhos, as mulheres, os mais pobres e menos
escolarizados avaliam sua saúde como regular ou ruim (PERES et. al., 2010).
Encontrou-se também um
povo religioso, que diz sentir a presença de Deus, que reza e que encontra
muitas vezes nas igrejas/templos seu meio social e o seu apoio.
O bem estar pleno da
definição de saúde da OMS é a busca sempre crescente do ser humano, mesmo
sabendo nunca chegar, conforme Moreira-Almeida e Stroppa (2012) as pessoas não
buscam apenas não ficar doentes, mas conseguir uma vida plena.
A busca por um nível
sempre maior de saúde se encontra com a religiosidade e a espiritualidade
quando 91,5% dizem que as suas crenças estão por trás de toda a sua maneira de
viver e que 83,5% se esforçam por viver a religião em todos os aspectos da
vida, logo também, nos aspectos da saúde.
Frente a este aspecto se
faz necessário a fim de maximizar a eficiência terapêutica, abordar os aspectos
de R/E nos atendimentos de saúde, inclusive porque a maioria dos pacientes
deseja isso, mas os médicos, no caso, não o fazem, entre outros motivos porque
nunca receberam treinamento algum na área (MOREIRA-ALMEIDA, STROPPA, 2012).
Um exemplo desta lacuna é
o ocorrido em uma oficina de intervenção organizada para um grupo de
soropositivos, na qual foi mencionado que os participantes “trouxeram à baila
um tema que não tínhamos cogitado na organização da oficina – a religiosidade e
a espiritualidade popular-. Inicialmente ficamos surpresos e desconcertados com
a emergência desse tema ...” (MENEGHEL et al, 2014, p 228).
Este trabalho então,
frente ao encontrado, no qual a religiosidade está por trás de toda maneira de
viver e esta população se esforça por viver de acordo com suas crenças, realça juntamente
outros, a necessidade da abordagem da R/E nos atendimentos e treinamentos de
profissionais nesta área (R/E).
Finalmente existiram limitações
nesta pesquisa, uma delas é ela ser de corte transversal, outra, foi a coleta ter
sido feita durante uma Feira de Saúde, o que pode se cogitar se as pessoas que
participam de tal evento são mais propensas a cuidar melhor da sua saúde.
Se por um lado pode ser
uma limitação, por outro traz a contribuição de uma ação de promoção de saúde e
prestação de serviço à comunidade, onde os participantes não só responderam a
questionários, mas também identificaram onde havia necessidade de melhora em
seu estilo de vida e foram orientados em relação a isso, mas principalmente
foram ouvidos.
6 CONCLUSÃO
A saúde e a religião não
são dissociadas. Religiosidade e estilo de vida, ambos sendo hábitos do
cotidiano humano, com certeza também não. O que se necessita é que sejam
realizados estudos mais robustos para confirmar esta investigação e o uso de
uma lente diferente, quem sabe outros instrumentos sobre estilo de vida, e
então, ao se proceder a análise destas pesquisas com diferentes instrumentais,
se pudesse chegar mais próximo dos mecanismos de associação.
Pesquisando esta população
de 206 adultos, usando estes instrumentos (DUREL e Fantástico) e utilizando-se
esta análise estatística (Rho de Spearman) a associação encontrada foi fraca
(<0,30), mas este resultado pode ser que se apresentasse de outra forma,
caso algum dos fatores levantados anteriormente fosse alterado, como em uma
expressão matemática, onde mudado um fator, se teria outro resultado,
fazendo-se, portanto, necessário mais pesquisas nesta área usando outros
fatores.
Este trabalho, contudo,
pode colaborar no conhecimento da ênfase da religiosidade do povo brasileiro e
de como esta religiosidade afeta e está por trás de toda sua maneira de viver.
Os profissionais/instituições de saúde
ou de outra áreas, que queiram ter eficiência terapêutica no seu trabalho, não
podem negar ou ignorar esta dimensão do ser humano, a R/E.
Faz-se necessário uma maior discussão
deste tema, assim como treinamento dos profissionais já ativos e a inclusão da
discussão e conhecimento da Religiosidade/Espiritualidade nos cursos de
formação superior de saúde.
Existe um aspecto na área
da saúde a ser trabalhada, a do estilo de vida saudável, não só pela
informação, orientação, mas também sobre o como ou o que dificulta a mudança de
hábitos de saúde, podendo a religiosidade ser um agente facilitador.
É importante lembrar que a
saúde tem que ser vista de modo holístico, onde não existe só alimentação ou
exercícios, ou abstinência, mas muitos outros hábitos na área física e também
mental, o que vem sendo observado atualmente, quando se estuda o estresse e o
adoecimento. A saúde também deve ser vista por meio das condições sociais a que
se está exposto, principalmente nas grandes cidades e finalmente por meio da
área espiritual, que foi o tema deste trabalho.
Para se aumentar o gradiente de
saúde é necessário praticar hábitos saudáveis, porém, se saúde é o bem estar
biopsicosocioespiritual, então para aumentar a saúde física, pratica-se hábitos
físicos saudáveis, e no caso para melhorar a saúde espiritual pratica-se hábitos espirituais saudáveis, e esta
prática é o que este estudo chamou de religiosidade.
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2006.
APÊNDICES E ANEXOS
Fonte-
Koenig (2012).
APÊNDICE II
Quadro
2 - Relação de
estudos associando Saúde e Religiosidade no Brasil
Área
|
Autor
|
Ano
|
Amostra
|
Ambiente
|
Assunto
|
Achado
|
Psiquiatria
|
Dantas, Pavarin, Dalgalarrondo.
|
1999
|
200 prontuários
|
Unidade de psiquiatria UNICAMP
|
Sintomas psicopatológicos e
associação a sintomas religiosos
|
Associação negativa em relação à depressão. Não foram
encontradas relações significativas entre sintomas de conteúdo R e frequência
aos cultos ou denominação Religiosa
|
Enfrentamento
|
Moraes e Dalgalarrondo
|
2006
|
358 mulheres
|
Presídio
|
Relação entre religião e saúde
mental
|
Possível relação entre R/SM. Não foi encontrado dado sugestivo
que a R evite criminalidade
|
Bem estar E
|
Gastaud et al
|
2006
|
351 estudantes de psicologia
|
PUC - Pelotas RS
|
Relacionar Bem estar E (SWB) e transtornos psiq. Menores (TPM)
pelo SRQ-20.
|
Achados sugerem que o SWB esta inversamente correlacionado a TPM
(SRQ 20)
|
S M e Q V
|
Floriano e Dalgalarrondo
|
2007
|
82 Idosos
|
PSF em Sousas, Campinas SP.
|
R/E, S M, Q V
|
R é uma dimensão importante na QV. Os evangélicos apresentam os
piores escores
|
Enfrentamento
|
Paula, Nascimento, Rocha.
|
2009
|
4 famílias (qualitativa)
|
HU do interior de SP
|
R/E nas famílias com
crianças em diálise per.
|
R/E como fonte de conforto, esperança e ajuda na situação de
morte e a R oferece suporte social à família.
|
Suporte social
|
Correa et al
|
2011
|
1980 idosos
|
Região de baixa renda de SP
|
Relação entre religião, transtorno mental e suporte social.
|
Maior frequência R associada a maior suporte social. Prevalência
de transt. Mental entre os frequentadores de serviços rel. OR entre 0.43 e
0.55.
|
Suporte emocional
|
Véras, Vieira, Moraes.
|
2010
|
8 mães (qualitativa)
|
UTI Neonatal, Natal - RN.
|
Obs. entrevista durante e após o grupo "mães em
oração"
|
Praticas de R/E atuam
como suporte nas situações enfrentadas pelas mães na UTINeo.
|
Enfrentamento
|
Fornazari, Ferreira
|
2010
|
10 pac. Oncológicos
|
Ass. Voluntária do Câncer -
Assis SP.
|
Pacientes com câncer, R/E e QV
|
R pode contribuir na adesão ao tratamento, redução de stress e
ansiedade e busca e significado da situação.
|
Pratica religiosa
|
Silva et al.
|
2010
|
260 gestantes (3 trim) entre 15 e 45 a
|
Uni. de saúde do SUS- Juiz de Fora MG
|
R, SM, Transt. Psiquiat consumo de álcool
|
Risco (-) p/uso alcoólico= 47.7% para praticantes R e 27.7% não
praticantes Envolvimento R aumenta bem estar psi. e diminui transtornos
psiquiat.
|
Qualidade de vida
|
Rocha, Fleck
|
2011
|
Pacientes internados e grupo
saudável
|
HC de Porto Alegre e comunidade próxima
|
Presença de uma doença
crônica, R e QV
|
Pacientes dão mais importância a R/E que os saudáveis e R é um
aspecto relevante a ser considerado na QV dos pacientes internados
|
Enfrentamento
|
Medeiros, Saldanha
|
2012
|
Soropositivo p/ HIV
|
Hosp. Referencia p/ AIDS
|
Aids e religiosidade
|
R é importante fator de
enfrentamento e favorecedora de bem estar psi. apoio social e estrutural
|
Enfrentamento
|
Zenevicz, Moriguchi,
Madureira
|
2013
|
2160 pessoas
|
Chapecó SC
|
R e envelhecimento
|
Maior enfrentamento nas crises
existenciais e o ato de orar/rezar proporciona benefícios à saúde
|
Enfrentamento
|
Santos et al
|
2013
|
57 idosos
|
Cidade de Bambui MG
|
Envelhecimento e coping religioso
|
R é uma estratégia importante
p/ regular a resposta emocional causada pela incapacidade funcional e vazio
existencial
|
Fonte- SciELO
Legendas:
R= religiosidade, religião
|
E=espiritualidade
|
SM= saúde mental
|
QV= qualidade de vida
|
APÊNDICE
III (Feira de Saúde no dia 20 de outubro 2013)
APÊNDICE
IV (Feira de Saúde no dia 04 de maio de 2014)
TERMO DE CONSENTIMENTO
LIVRE E ESCLARECIDO
(Conf.
Resolução N° 466/2013 do Conselho Nacional de Saúde)
Você está sendo convidado (a) para
participar, como voluntário, de uma pesquisa que tem como objetivo analisar o
estilo de vida “fantástico” da comunidade que frequenta o Shopping Campo Limpo
associando-o com fatores socioeconômicos, demográficos, religiosos e de saúde.
Os
pesquisadores são os alunos e professores do programa de mestrado em Promoção
da Saúde e Qualidade de Vida do UNASP SP. A pesquisa consta de aplicação de 2
questionários e algumas intervenções: teste de glicemia, colesterol, pressão
arterial, IMC, capacidade pulmonar, idade biológica, teste do exercício e % de
gordura corporal. O acesso às informações, bem como andamento do processo da
pesquisa e os seus resultados poderão ser acessados por todos os participantes.
O sigilo
relativo à privacidade das informações obtidas pelo sujeito da pesquisa será
preservado.
CONSENTIMENTO
DA PARTICIPAÇÃO.
Eu_________________________________________________________
portador (a) do RG___________________ abaixo assinado, concordo em participar
da pesquisa descrita acima. Fui devidamente informado e esclarecido pelo grupo
pesquisador sobre o estudo, os procedimentos nela envolvidos e os benefícios
decorrentes de minha participação. Foi-me garantido que posso retirar meu
consentimento a qualquer momento, sem que isto leve a qualquer penalidade ou
interrupção de meu acompanhamento, assistência e tratamento.
__________________________ _________________________________
Assinatura do participante Pesquisador responsável
São Paulo __________
de________________________ de 2013/2014
APÊNDICE
V
FEIRA DE SAÚDE
A Feira de Saúde é um circuito de 8
estandes, onde cada um é representado
por um elemento da saúde e mais a recepção, onde no caso foram preenchidas as
fichas com dados sociais e os questionários DUREL e Fantástico.
A pessoa circula então nos estandes
dentro de uma ordem com uma ficha onde vão sendo anotados os dados de cada
estande.
O primeiro é Temperança (IMC), o
segundo nutrição (glicose), o terceiro Sol (PA), o quarto Água (consumo
hídrico), o quinto Ar (capacidade resp.), o sexto Exercício (pulso), o sétimo
descanso (massagem) e o oitavo Confiança em Deus.
Em cada estande é realizado também uma
pequena aula sobre cada elemento.
Após então a pessoa passa por um
atendimento onde é feito um teste pelo computador, e finalmente a ultima parte
que é onde geralmente um profissional de saúde faz uma orientação após a
leitura dos testes e escuta da pessoa.
Na saída são entregues alguns dos
testes, ficando uma copia com a pessoa.
A Feira de Saúde visa trabalhar
principalmente o Estilo de Vida Saudável, através de palestras, e através do
Diagnostico Espelho, onde a pessoa visualiza a sua situação em relação ao seu
estilo de vida e a necessidade de mudança.
Modelo
de Circuito de Feira de Saúde
ANEXO I
Questionário de Estilo
de Vida FANTÁSTICO
Família e amigos
|
1
|
2
|
3
|
4
|
5
|
||
1
|
Tenho alguém para
conversar as coisas que são importantes para mim
|
Quase nunca
|
Raramente
|
Algumas vezes
|
Com muita frequência
|
Quase sempre
|
|
2
|
Dou e recebo afeto
|
Quase nunca
|
Raramente
|
Algumas vezes
|
Com muita frequência
|
Quase sempre
|
|
Atividade
|
3
|
Sou vigorosamente ativo
pelo menos durante 30 minutos por dia (corrida, bicicleta, etc)
|
Menos de 1 vez por
semana
|
1-2 vezes por semana
|
3 vezes por semana
|
4 vezes por semana
|
5 ou mais vezes por
semana
|
4
|
Sou moderadamente ativo
(jardinagem, caminhada, trabalho de casa)
|
Menos de 1 vez por
semana
|
1-2 vezes por semana
|
3 vezes por semana
|
4 vezes por semana
|
5 ou mais vezes por
Semana
|
|
Nutrição
|
5
|
Como uma dieta
balanceada (ver explicação*)
|
Quase nunca
|
Raramente
|
Algumas vezes
|
Com muita frequência
|
Quase sempre
|
6
|
Frequentemente como em
excesso (1) açúcar, (2) sal, (3) gordura animal, (4) bobagens e salgadinhos
|
Quatro itens
|
Três itens
|
Dois itens
|
Um item
|
Nenhum
|
|
7
|
Estou no intervalo de
____ quilos acima do meu peso considerado saudável
|
Mais de 8 kg
|
8 kg
|
6 kg
|
4 kg
|
2 kg
|
|
Cigarro e drogas
|
8
|
Fumo cigarros
|
Mais de 10 por dia
|
1 a 10 por dia
|
Nenhum nos últimos 6
meses
|
Nenhum no ano passado
|
Nenhum nos últimos anos
|
9
|
Uso drogas como maconha
e cocaína
|
Algumas vezes
|
Nunca
|
||||
10
|
Abuso de remédios ou
exagero
|
Quase diariamente
|
Com relativa frequência
|
Ocasionalmente
|
Quase nunca
|
Nunca
|
|
11
|
Ingiro bebidas que
contém cafeína (café, chá ou colas)
|
Mais de 10 vezes por
dia
|
7 a 10 vezes por dia
|
3 a 6 vezes por dia
|
1 a 2 vezes por dia
|
Nunca
|
|
Álcool
|
12
|
Minha ingestão média
por semana de álcool é ____doses (ver explicação)
|
Mais de 20
|
13 a 20
|
11 a 12
|
8 a 10
|
0 a 7
|
13
|
Bebo mais de quatro
doses em uma ocasião
|
Quase diariamente
|
Com relativa frequência
|
Ocasionalmente
|
Quase nunca
|
Nunca
|
|
14
|
Dirijo após beber
|
Algumas vezes
|
Nunca
|
||||
Sono, cinto de
segurança, estresse e sexo seguro
|
15
|
Durmo bem e me sinto
descansado
|
Quase nunca
|
Raramente
|
Algumas vezes
|
Com muita frequência
|
Quase sempre
|
16
|
Uso cinto de segurança
|
Nunca
|
Raramente
|
Algumas vezes
|
A maioria das vezes
|
Sempre
|
|
17
|
Sou capaz de lidar com
o estresse do meu dia-a-dia
|
Quase nunca
|
Raramente
|
Algumas vezes
|
Com muita frequência
|
Quase sempre
|
|
18
|
Relaxo e desfruto do
meu tempo de lazer
|
Quase nunca
|
Raramente
|
Algumas vezes
|
Com muita frequência
|
Quase sempre
|
|
19
|
Pratico sexo seguro
(ver explicação)
|
Quase nunca
|
Raramente
|
Algumas vezes
|
Com muita frequência
|
Sempre
|
|
Tipo de comportamento
|
20
|
Aparento estar com
pressa
|
Quase sempre
|
Com relativa frequência
|
Algumas vezes
|
Raramente
|
Quase nunca
|
21
|
Sinto-me com raiva e
hostil
|
Quase sempre
|
Com relativa frequência
|
Algumas vezes
|
Raramente
|
Quase nunca
|
|
Introspecção
|
22
|
Penso de forma positiva
e otimista
|
Quase nunca
|
Raramente
|
Algumas vezes
|
Com muita frequência
|
Quase sempre
|
23
|
Sinto-me tenso e
desapontado
|
Quase sempre
|
Com relativa frequência
|
Algumas vezes
|
Raramente
|
Quase nunca
|
|
24
|
Sinto-me triste e
deprimido
|
Quase sempre
|
Com relativa frequência
|
Algumas vezes
|
Raramente
|
Quase nunca
|
|
Trabalho
|
25
|
Estou satisfeito com
meu trabalho ou função
|
Quase nunca
|
Raramente
|
Algumas vezes
|
Com muita frequência
|
Quase sempre
|
*Explicação: Dieta
balanceada – é aquela
que a pessoa (4 anos e mais) come grãos e cereais integrais e produtos
enriquecidos (5-12 porções), vegetais verde-escuros e alaranjados (5-10
porções), derivados do leite com baixo teor de gordura (2-4 copos), carnes
magras, aves e peixes, assim como ervilhas, feijão e lentilha (2-3 porções),
outros alimentos (ricos em gorduras, calorias usados com moderação, 2-3
porções). Obs.: para a maioria das
pessoas a quantidade ideal é ficar no número intermediário.
Fonte- Rodriguez-Anez CR, Reis RS, Petroski
EL. Versão Brasileira do questionário “Estilo de Vida Fantástico”: tradução e
validação para adultos jovens. Arq.
Bras. Cardiol. 2008,91(2):102-109.
ANEXO II
ÍNDICE DE RELIGIOSIDADE
DUKE - DUREL
Instrumento validado por Taunay et al. (2012).
(1)
Com que frequência você vai a uma igreja, templo ou
outro encontro religioso?
1.
Mais do que uma vez por semana
2.
Uma vez por semana
3.
Duas a três vezes por mês
4.
Algumas vezes por ano
5.
Uma vez por ano ou menos
6.
Nunca
(2)
Com que
frequência você dedica seu tempo a atividades religiosas individuais como
preces, rezas, meditações, leitura da Bíblia ou de outros textos religiosos?
1.
Mais que uma vez ao dia
2.
Diariamente
3.
Duas ou mais vezes por semana
4.
Poucas vezes por mês
5.
Raramente ou nunca
(3)
Em minha vida, eu sinto a presença de Deus (ou do
Espírito Santo)
1.
Totalmente verdade para mim
2.
Em geral é verdade
3.
Não estou certo
4.
Em geral não é verdade
5.
Não é verdade
(4)
As minhas
crenças religiosas estão realmente por trás de toda a minha maneira de viver
1.
Totalmente verdade para mim
2.
Em geral é verdade
3.
Não estou certo
4.
Em geral não é verdade
5.
Não é verdade
(5)
Eu me esforço
muito para viver a minha religião em todos os aspectos da vida
1.
Totalmente verdade para mim
2.
Em geral é verdade
3.
Não estou certo
4.
Em geral não é verdade
5.
Não é verdade
ANEXO III
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